Nivolumabe para o tratamento do carcinoma de células renais avançado

Ano de publicação: 2017

CONTEXTO:

O carcinoma de células renais (CCR), também conhecido como câncer de células renais ou adenocarcinoma de células renais, é o tipo mais comum de câncer de rim. Entre 80% e 90% dos cânceres de rim são CCR. Existem vários subtipos de CCR, identificadas por meio das células cancerosas visualizadas ao microscópio, entre eles o convencional ou de células claras (com uma prevalência de 70% a 75%), o papilar (10%) e o cromofóbico (5%). Os demais são considerados muito raros, com uma prevalência abaixo de 1% para cada um deles. Saber o subtipo de CCR pode ser um fator na decisão sobre o tratamento e pode também ajudar o médico a determinar se o câncer pode ser devido a uma síndrome genética hereditária. Além disso, estes subtipos de CCR apresentam características morfológicas, genéticas e moleculares distintas, resultando em doenças de prognóstico variável. . Os fatores de riscos de CCR estão relacionados com hábitos de vida (como o tabagismo e a obesidade), fatores exógenos (como a exposição ao cádmio e a alguns herbicidas), fatores genéticos e hereditários, hipertensão e doença renal avançada, dentre outros.

TECNOLOGIA:

Opdivo® (Nivolumabe).

PERGUNTA:

eficácia e segurança do nivolumabe em pacientes com carcinoma de células renais avançado.

EVIDÊNCIAS:

Foi incluíndo um ensaio clínico randomizado aberto que avaliou o nivolumabe para o tratamento do carcinoma de células renais comparado com o everolimos. Motzer et al (2015) conduziram um ensaio clínico randomizado, aberto, de fase III, comparando o nivolumabe com o everolimos em pacientes com carcinoma de células renais que receberam tratamento prévio com um ou dois regimes de terapia antiangiogênica. Um total de 821 pacientes foram randomizados (em proporção de 1: 1) para receber 3 mg/kg de nivolumabe por via endovenosa a cada 2 semanas ou um comprimido de 10 mg de everolimos por via oral uma vez por dia. Houve um seguimento mínimo de 14 meses, com 70% dos pacientes interrompendo o tratamento como resultado da progressão da doença durante o seguimento. O desfecho primário foi a sobrevida global. A mediana de sobrevida global foi de 25,0 meses (intervalo de confiança de 95% [IC95%], 21,8 a não estimável) com nivolumabe e de 19,6 meses (IC95%, 17,6 a 23,1) com everolimos. O risco (Hazard Ratio) de morte com nivolumabe versus everolimos foi de 0,73 (IC 98,5%, 0,57 a 0,93; P = 0,002), que correspondeu ao critério pré-especificado de superioridade (P≤0,0148). A taxa de resposta objetiva foi maior com o nivolumabe do que com o everolimos (25% vs. 5%, razão de chances de 5,98 [IC95%, 3,68 a 9,72], P <0,001). A mediana de sobrevida livre de progressão foi de 4,6 meses (IC 95%, 3,7 a 5,4) com nivolumabe e de 4,4 meses (IC 95%, 3,7 a 5,5) com everolimos (HR 0,88; IC 95%: 0,75 a 1,03; P = 0,11). O nivolumabe foi melhor tolerado do que o everolimos com uma duração mediana mais longa de tratamento (5,5 meses vs 2,7 meses) e menos eventos adversos (79% vs 88%). Oito por cento dos doentes que receberam nivolumabe e 13% deste everolimus descontinuaram o tratamento como resultado de eventos adversos. O nivolumabe apresentou uma menor percentagem de eventos adversos de grau 3 ou 4 comparados com everolimus (19% vs 37%).

CONCLUSÕES:

Nivolumabe é indicado para o tratamento paliativo do carcinoma de células renais avançado em indivíduos que realizaram uso prévio de antiangiogênico. Não foram observadas diferenças estatisticamente significantes para os desfechos de sobrevida global e de sobrevida livre de progressão. Nivolumabe mostrou uma taxa de resposta objetiva significativamente maior do que o everolimus, menor risco de morte e foi melhor tolerado. Apesar de ser baseado em apenas um ensaio clínico randomizado, considera-se que nivolumabe é uma alternativa eficaz e tolerável para indivíduos que já realizaram tratamento prévio com antiangiogênico, com alguns benefícios em relação ao everolimos. Ressalta-se, entretanto, a necessidade de redução do seu custo, uma vez que não é considerado uma alternativa atualmente custo-efetiva no contexto de outros países e tem potencial para um substancial impacto orçamentário. Estudos adicionais são necessários para se confirmar o real benefício do uso de nivolumabe.

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