Secuquinumabe para o tratamento da espondilite ancilosante

Ano de publicação: 2017

CONTEXTO:

A espondilite anquilosante ou ancilosante (EA) é a mais comum das espondiloartrites (SpA)(1) e se caracteriza por ser uma doença inflamatória crônica, que acomete preferencialmente as articulações sacroilíacas, as enteses e a coluna vertebral, podendo evoluir com rigidez e limitação funcional progressiva do esqueleto axial. A causa da EA é desconhecida, mas sabe-se que é uma doença predominantemente genética e o HLA-B27 (antígeno leucocitário humano B27) é o principal fator genético relacionado com esta doença. Embora esteja presente em mais de 95% das pessoas com EA, apenas cerca de um em cada 15 indivíduos que são HLA-B27 positivos desenvolverão EA. O que significa que este gene sozinho não é responsável para desenvolver a EA, embora pareça contribuir. O processo inflamatório da EA se inicia nas enteses, local onde os ligamentos ou os tendões anexam ao osso, causando a entesite. Esta inflamação é seguida por um desgaste ósseo no local, entesopatia. Simultaneamente à redução da inflamação, o processo de cicatrização se inicia, formando um tecido ósseo em substituição ao tecido elástico de ligamentos ou tendões, culminando na restrição do movimento neste local. Portanto, a repetição deste processo inflamatório leva à formação óssea adicional e os ossos individuais que compõem a espinha dorsal (vértebras) podem se fundir, impactando no movimento da estrutura óssea devido a sua rigidez (anquilose ou ancilose).

TECNOLOGIA:

Cosentyx™ (secuquinumabe).

PERGUNTA:

o secuquinumabe é eficaz e seguro para o tratamento da espondilite ancilosante? EVIDÊNCIAS: Foi analisada uma revisão sistemática com metanálise que avaliou a eficácia comparativa de todos os regimes de terapia biológica disponíveis para a espondilite ancilosante, sendo apenas dois estudos com comparadores ativos e os demais com placebo e foi analisado um ensaio clínico randomizado que avaliou a eficácia e a segurança do secuquinumabe em pacientes com espondilite ancilosante ativa, em comparação com placebo. O secuquinumabe não demonstrou ser mais eficaz do que o placebo na revisão sistemática com metanálise, mas no ensaio clínico randomizado o secuquinumabe apresentou reduções significativas nos sinais e sintomas da espondilite ancilosante em relação ao placebo. A revisão sistemática com metanálise sugere que o secuquinumabe é seguro para o tratamento da espondilite ancilosante, embora não tenha realizado está avaliação. No ensaio clínico randomizado os autores não concluíram acerca da segurança do secuquinumabe. Na revisão sistemática com metanálise, os autores sugerem que o infliximabe parece ser o melhor regime terapêutico para a espondilite ancilosante, mas reforçam a necessidade de mais estudos e cautela na interpretação dos resultados apresentados. A revisão sistemática com metanálise teve como limitação uma quantidade relativamente pequena de estudos para contribuir na análise comparativa e a escassez dos dados originais quanto aos resultados dos desfechos secundários de eficácia.

CONCLUSÕES:

o secuquinumabe é indicado para o tratamento da espondilite ancilosante. Não foram encontrados estudos que avaliassem a eficácia e a segurança do secuquinumabe frente a comparadores ativos. Há recomendações para que o uso do secuquinumabe no tratamento da espondilite ancilosante ocorra somente quando os pacientes não responderem adequadamente à terapia convencional e com um valor do tratamento que não seja mais oneroso do que o tratamento com o biológico já disponível para a espondilite ancilosante.

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