Ceftriaxona para tratamento da sífilis em gestantes com alergia confirmada à penicilina

Ano de publicação: 2015

CONTEXTO:

A sífilis é uma doença sexualmente transmissível, causada pela bactéria Treponema Pallidum, infecciosa e sistêmica, a partir de sua manifestação. A prevalência da sífilis em parturientes foi de 1,6%, em 2004, e de 1,1%, em 2006. O protocolo clínico e diretrizes terapêuticas (PCDT) de atenção integral às pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) está sendo revisado e dentre as recomendações propostas está o uso de ceftriaxona 500mg injetável, como alternativa ao tratamento da gestante com sífilis e com alergia confirmada à penicilina, no caso de total impossibilidade de sua dessensibilização à penicilina. A ceftriaxona, na forma farmacêutica pó para solução injetável e nas concentrações 250mg e 1g, já é disponibilizada pelo SUS. Entretanto, como medida cautelar para mitigar a resistência bacteriana à ceftriaxona, o novo PCDT de Atenção Integral às Pessoas com IST.

TRATAMENTO RECOMENDADO:

A penicilina G, administrada via parenteral, é a única terapia com eficácia documentada no tratamento de gestantes com sífilis e na prevenção da transmissão vertical da doença para o bebê, apresentando 98% de taxa de sucesso nessa prevenção. O Ministério da Saúde recomenda o uso da penicilina no tratamento da sífilis materna durante a gestação. As gestantes com alergia comprovada à penicilina, após testes de sensibilidade, devem ser dessensibilizadas e posteriormente tratadas com penicilina, em ambiente hospitalar. Na impossibilidade de tratamento com penicilina, as gestantes devem ser tratadas com eritromicina (estearato) 500 mg, por via oral; entretanto, essa gestante não será considerada adequadamente tratada para fins de transmissão fetal, sendo obrigatória a investigação e o tratamento adequado da criança logo após seu nascimento. O uso de tetraciclina, doxiciclina e estolato de eritromicina é contra-indicado na gestação.

EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS:

em busca realizada na literatura científica, foi encontrada uma série de casos que avaliou a eficácia da ceftriaxona em 11 mulheres grávidas com sífilis primária ou secundária. Após 3 meses de tratamento, os títulos séricos de anticorpos não treponêmicos das gestantes diminuíram 4 vezes e não aumentaram em 24 meses de seguimento, chegando a negativar em 10 casos. Não houve manifestações de sífilis congênita em nenhum dos bebês ao nascimento e os testes para sífílis realizados nos bebês foram negativos logo após o nascimento ou 6 meses depois.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

A ceftriaxona é uma opção de tratamento de gestantes com sífilis e que não podem ser utilizar o tratamento de primeira escolha com penicilina. A substituição da ceftriaxona de 250mg, pela apresentação de 500mg, para o tratamento de gestantes com sífilis e com alergia confirmada à penicilina, atinge uma economia de 73%.

DELIBERAÇÃO FINAL:

Os membros da CONITEC presentes na reunião do plenário do dia 02/04/2015 deliberaram, por unanimidade, recomendar a incorporação da ceftriaxona 500mg injetável para tratamento da sífilis em gestantes com alergia confirmada à penicilina.

DECISÃO:

PORTARIA Nº 57, de 1 de outubro de 2015 - Torna pública a decisão de incorporar a ceftriaxona 500mg injetável para o tratamento de sífilis, conforme normas técnicas definidas pelo Ministério da Saúde, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS.

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