Elastografia hepática ultrassônica no diagnóstico da fibrose hepática

Ano de publicação: 2015

CONTEXTO:

Com o recente registro de novos medicamentos para o tratamento da Hepatite C e a necessidade de atualização dos protocolos clínicos para tratamento desta importante patologia, se faz necessária também a atualização dos métodos diagnósticos nele existentes. A elastografia hepática ultrassônica é considerada uma alternativa indolor e não invasiva quando comparada à biópsia que é o atual padrão-ouro para o diagnóstico e estadiamento da fibrose hepática. Esse relatório aborda as diferentes tecnologias de elastografia hepática ultrassônica e as evidências científicas quanto sua acurácia.

EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS:

As evidências científicas indicam que a elastografia hepática ultrassônica por meio das tecnologias transitória e ARFI/ Shear Wave, possui níveis de sensibilidade e especificidade significativas que se aproximam ao padrão-ouro, com a vantagem de ser um exame indolor, não invasivo e de baixo custo. Pode ser um bom meio para o rastreamento do diagnóstico e acompanhamento do estadiamento da fibrose hepática.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

A complexidade da biópsia hepática promove uma limitação principalmente no acompanhamento da progressão ou regressão da fibrose hepática, visto que, para esta finalidade, seria necessária a repetição do método, aumentando riscos de complicações ao indivíduo. A ultrassonografia com elastografia hepática se mostra como uma boa alternativa à biópsia para avaliação inicial e seguimento da progressão ou regressão da fibrose hepática de diversas doenças do fígado. Por ser um método não invasivo, possui várias vantagens em relação à biopsia. Dentre elas destaca-se o fato de ser indolor o que promove uma maior adesão do paciente ao diagnóstico e acompanhamento, rápida execução e não necessita de preparo e/ou jejum. As evidências científicas encontradas na literatura demonstram que a elastografia hepática ultrassônica, seja com a tecnologia transiente ou por meio da tecnologia ARFI com onda de cisalhamento (Shear Wave), indicam que os valores de sensibilidade e especificidade do exame se elevam proporcionalmente ao grau de evolução da fibrose, sendo mais acurados quando se trata de quadros de cirrose do que quando o estadiamento se encontra em METAVIR F1 ou F2. Os valores apresentados indicam que a elastografia hepática ultrassônica é uma alternativa segura e efetiva e pode ser uma ferramenta extremamente útil para a triagem e acompanhamento da fibrose hepática em pacientes portadores de patologias do fígado, podendo evitar inúmeras biópsias desnecessárias. Mais do que a economia gerada ao sistema de saúde, evitar biópsias desnecessárias representa um ganho significativo em qualidade de vida para os pacientes, que passarão a contar com um exame indolor e sem as complicações e efeitos que um procedimento invasivo representa para o seu bem-estar.

DELIBERAÇÃO da CONITEC:

A CONITEC, na presença dos membros, na reunião do plenário do dia 02/07/2015 deliberou por unanimidade recomendar a incorporação do procedimento de elastografia hepática ultrassônica conforme Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hepatite C crônica estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Foi assinado o Registro de Deliberação nº 132/2015.

DECISÃO:

Incorporar no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS o procedimento de elastografia ultrassônica hepática, conforme Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da hepatite C crônica estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Portaria nº 47 publicada no DOU nº 187, pág. 71, de 30/09/2015.

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