Naproxeno para tratamento da espondilite ancinlosante

Ano de publicação: 2012

Espondilite ancilosante (EA) é uma doença inflamatória crônica pertencente ao grupo das espondiloartrites e que acomete principalmente a coluna vertebral, podendo evoluir com rigidez e limitação funcional progressiva do esqueleto axial. De forma característica, a EA envolve adultos jovens com pico de incidência entre homens dos 20 aos 30 anos. O sintoma inicial destes pacientes costuma ser a lombalgia inflamatória, caracterizada por melhora com exercícios, dor noturna, início insidioso e que não melhora com o repouso. Além do comprometimento da coluna vertebral, a EA também costuma envolver articulações periféricas (oligoartrite de grandes articulações de membros inferiores) e pode causar manifestações extraesqueléticas, tais como uveíte anterior aguda, insuficiência aórtica, distúrbios de condução cardíacos, fibrose de lobos pulmonares superiores, compressão nervosa ou neurite, nefropatia ou amiloidose renal secundária. Os objetivos do tratamento da EA são aliviar a dor, a rigidez e a fadiga, preservar a postura adequada e a função física e psicossocial. A abordagem ideal para a EA inclui tratamento farmacológico e não-farmacológico combinados. O tratamento farmacológico da EA inclui anti-inflamatórios não-esteroidais (AINEs), sulfassalazina, metotrexato, glicocorticóides e agentes bloqueadores do fator de necrose tumoral alfa (anti-TNFs), sendo estes últimos indicados quando houver falha de todas as outras opções terapêuticas. O naproxeno é um AINE não seletivo, sendo indicado no tratamento de artrite reumatóide, osteoartrite, espondilite ancilosante, artrite juvenil, tendinite, bursite, crise de gota e dor em dismenorréia primária. É comercializado nas formas farmacêuticas comprimidos (250 e 500 mg) e suspensão oral (25 mg/mL). A dose diária preconizada para doenças reumáticas, incluindo a EA, é de 500 a 1500 mg, podendo ser dividida em 2 administrações (de 12 em 12 horas). O naproxeno tem se revelado mais seguro com relação aos eventos cardiovasculares do que os outros AINEs utilizados para o tratamento d EA. Em metanálise que comparou AINEs com placebo foi demonstrado que o ibuprofeno e o diclofenaco possuem risco relativo (RR) similares (RR=1,51 e 1,63, respectivamente) para eventos cardiovasculares. O naproxeno foi o único AINE que não aumentou o risco relativo para tal evento (RR=0,92), o que pode ser explicado pela sua maior capacidade de inibição da agregação plaquetária. Em revisão sistemática de estudos observacionais (caso -controle e coortes), o naproxeno revelou-se como o AINE com menor risco relativo para infarto agudo do miocárdio (RR=0,98), comparado com o ibuprofeno (RR=1,07) e diclofenaco (RR=1,44). Os membros da CONITEC presentes na 5ª reunião do plenário do dia 01/06/2012 apreciaram a proposta de incorporação do medicamento naproxeno. Considerando se tratar de uma boa opção terapêutica entre os AINEs para o tratamento da EA, a CONITEC recomendou a incorporação do naproxeno para o tratamento da espondilite ancilosante, conforme Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) a ser elaborado pelo Ministério da Saúde. A Portaria SCTIE/MS Nº32, de 27 de setembro de 2012 - Torna pública a decisão de incorporar o medicamento naproxeno para o tratamento da espondilite ancilosante no Sistema Único de Saúde (SUS).

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