Exames diagnósticos para deficiência de alfa-1 antitripsina

Ano de publicação: 2012

A deficiência da enzima alfa-1 antitripsina (AAT) é um distúrbio genético de herança autossômica co-dominante que tem diversas implicações clínicas e que afeta especialmente pulmões e fígado. Estudos e pidemiológicos realizados ao redor do mundo mostraram que a deficiência de AAT é aproximadamente tão frequente quanto a fibrose cística, afetando um em cada 2.000-5.000 indivíduos. A prevalência de DPOC entre deficientes graves da enzima é estimada entre 75-85%. Doença hepática ocorre em 12-16% dos casos. A história natural da deficiência de AAT não é bem conhecida. Em um estudo com 11 anos de seguimento incluindo portadores de deficiência grave, a mortalidade foi de 37%, sendo a maior parte dos casos (59%) decorrente de insuficiência respiratória. Portadores de deficiência grave de AAT têm queda acelerada da função pulmonar como passar do tempo. Em relação ao tratamento, apesar de haver poucos estudos com essa população, a DPOC secundária à deficiência de AAT deve ser tratada da mesma forma que a recomendada para os não portadores da deficiência, incluindo suspensão do tabagismo, fármacos broncodilatadores, corticosteróides inalatórios (quando indicados), reabilitação pulmonar e tratamento precoce e adequado de exacerbações. Estudos com terapia de reposição enzimática específica não demonstraram melhora clínica significativa. Os seguintes achados clínicos contribuem para a suspeita clínica de deficiência de alfa-1 antitripsina como causa de doença respiratória: 1) enfisema pulmonar de início precoce (idade inferior a 45 anos), especialmente se não fumante ou com baixa carga tabágica; 2) enfisema em não fumantes; 3) enfisema com predominância em bases pulmonares; ou 4) enfisema associado a doença hepática inexplicada ou com história familiar positiva para a deficiência. Na presença de um ou mais dos fatores a dosagem do nível sérico está indicada. Deficiência da atividade de alfa1-antitripsina (AAT) é definida por um nível sérico abaixo de 11 μmol/L (50-80 mg/dL), em combinação com um genótipo grave de AAT para os alelos deficientes mais comuns, ou seja, s e z (genes relacionados a AAT). A genotipagem é realizada em uma amostra de sangue usando a tecnologia de reação em cadeia da polimerase (PCR) ou análise da curva de fusão. Na presença de nível sérico acima de 20 μmol/L (80 mg/dL), é improvável que exista deficiência clinicamente significativa. Os membros da CONITEC presentes na 1ª reunião extraordinária do plenário do dia 04/07/2012 recomendaram a incorporação da Dosagem de Nível Sérico de Alfa-1 Antitripsina (método nefelométrico) e da Genotipagem para Alfa-1 Antitripsina (PCR ou análise de curva de fusão) para diagnóstico de deficiência de alfa-1 antitripsina em portadores de DPOC, conforme PCDT a ser elaborado pelo Ministério da Saúde.

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