Dosagem do antígeno ca125 para acompanhamento de tratamento e seguimento pós-tratamento de neoplasia maligna epitelial de ovário

Ano de publicação: 2012

O carcinoma de ovário é a neoplasia maligna ginecológica mais letal, com incidência mundial de 200.000 novos casos a o ano. Dados internacionais estimam que cerca de 75% dos novos diagnósticos são realizados em estágios avançados, o que é responsável, em parte, pela alta mortalida de associada. Cerca de 90% dos carcinomas de ovário são de origem epitelial, da superfície epitelial ovariana ou derivados mullerianos, como as tubas uterinas (trompas de Falópio). Os adenocarcinomas primários peritoneais são classificados e tratados como carcinomas ovarianos epiteliais. Os demais tumores ovarianos derivam de outras células, como as germinativas, estromais ou mistas, e não serão abordados, por apresentarem comportamento e tratamentos distintos.

O Antígeno CA 125:

Evoluindo das enzimas ou hormônios, tem-se verificado, nas duas últimas décadas, um aumento do número dos chamados marcadores tumorais (substâncias circulantes, substâncias celulares, receptores de membrana celular, índices celular e nuclear, células, genes e expressões genéticas), cuja validade ou se consolidou como definitiva ou se inutilizou por ineficaz. Essa evolução se deu não só em termos de métodos laboratoriais (por exemplo, a gonadotrofina coriônica humana (hCG) medida na urina de 24 horas substituída pela dosagem sérica da fração beta dessa gonadotrofina (beta-hCG), como marcador de neoplasia de origem trofoblástica ou germinativa), mas também de elementos (a proteinúria de Bence-Jones substituída pela eletroforese de imunoglobulinas, como marcador de neoplasia de células plasmáticas) e mesmo de estruturas nucleares (o cromossoma Philadelphia e o gene bcr-abl, em casos de leucemia mielóide crônica). O CA 125 é um dos marcadores tumoral que ainda têm um papel questionável em neoplasia maligna epitelial de ovário. Alterações nos seus níveis séricos podem ser utilizadas como uma indicação de resposta terapêutica ou de progressão tumoral, mas ele não tem uma clara função na detecção, no diagnóstico ou no prognóstico desta neoplasia. Aproximadamente 50% das doentes de câncer de ovário que têm dosagens séricas normais de CA 125 persistem com tumor residual ao final da terapia. O CA 125 tem sua validade restrita à avaliação da resposta terapêutica e da progressão tumoral, em casos de diagnóstico confirmado de neoplasia maligna epitelial de ovário ou de tuba uterina sob tratamento antineoplásico. O Diagnóstico e estadiamento do câncer de ovário frequentemente se manifesta em estágios avançados, com a ocorrência de sintomas vagos, como distensão abdominal, dor abdominal ou pélvica, sintomas urinários, surgimento de massa abdominal, flatulência ou saciedade precoce relacionada a metástases peritoneais. Em alguns casos, pode ocorrer dispneia devido à ascite ou a derrame pleural associado. Os sintomas inicialmente não levam de imediato à suspeita de câncer. Sua evolução e persistência em mulheres entre 40 e 65 anos, faixa etária na qual a incidência torna-se mais frequente, pode levar o médico a suspeitar e diagnosticar esta neoplasia. O Diagnóstico laboratorial dos carcinomas epiteliais de ovário podem ser responsáveis pela produção do marcador tumoral CA 125. Esta glicoproteína pode estar presente em concentrações elevadas em pacientes com câncer de ovário, porém isoladamente não é útil como exame de triagem ou diagnóstico, podendo ser válido para o acompanhamento das pacientes em tratamento antineoplásico e durante seu seguimento.

Monitorização do Tratamento:

Avaliação da resposta terapêutica: Após o término do tratamento primário para o câncer epitelial de ovário, é de interesse avaliar se houve resposta completa (RC) por tomografia abdominal total e, no caso de doença metastática extra- abdominal pré-existente, tomografia também de tórax. O uso do marcador CA 125 é amplamente difundido como avaliação de resposta e doença persistente. Entretanto, cerca de 50% das pacientes com valores normais de CA 125 após a quimioterapia apresentam doença residual se avaliadas por cirurgia de second look.

Estimativa do Impacto Orçamentário:

A incorporação de um procedimento específico para a dosagem do CA 125, para acompanhamento de doentes de neoplasia maligna epitelial de ovário ou de trompa uterina ou de carcinomatose peritoneal, sob tratamento antineoplásico, não traria impacto financeiro para o SUS e orientaria uma melhor utilização deste marcador.

Recomendação da CONITEC:

Os membros da CONITEC presentes na 7ª reunião ordinária do dia 02/08/2012 recomendaram a incorporação da dosagem do antígeno CA125 para acompanhamento de tratamento e seguimento pós-tratamento de neoplasia maligna epitelial de ovário, conforme Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas (DDT) a ser elaborada pelo Ministério da Saúde. A Portaria CTIE/MS Nº37, de 27 de dezembro de 2012 - Torna pública a decisão de incorporar a dosagem do antígeno CA125 para acompanhamento de tratamento e seguimento pós-tratamento de neoplasia maligna epitelial de ovário no Sistema Único de Saúde.

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