Uso da tomografia por emissão de pósitrons (pet) no diagnóstico, estadiamento e reestadiamento dos cânceres de cólon e reto

BRATS: Boletim Brasileiro de Avaliação deTecnologias em Saúde; 5 (11), 2010
Ano de publicação: 2010

INTRODUÇÃO:

O câncer de cólon e reto (CCR) abrange tumores que atingem o cólon (intestino grosso) e o reto, ocupando o terceiro lugar, em incidência mundial, de câncer em ambos os sexos e a segunda causa em países desenvolvidos. No Brasil, no período de 2002-2006, esta neoplasia representou 6,1% do total de mortes por câncer em homens e 8,2% em mulheres e a taxa de mortalidade por esta neoplasia vem aumentando, em parte devido à melhoria no diagnóstico e, em parte, à melhoria no preenchimento dos atestados de óbitos em algumas regiões. O estadiamento mais acurado e a detecção precoce de recorrências podem evitar cirurgias desnecessárias, com impacto na sobrevida e qualidade de vida dos pacientes, bem como nos custos do sistema de saúde.

TECNOLOGÍA:

A PET é uma tecnologia da área de medicina nuclear, complexa e de alto custo, cujo uso vem sendo proposto de forma complementar às técnicas de imagem anatômica como a ultrassonografia, tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (MRI). Não há consenso sobre seu papel e potenciais benefícios no manuseio clínico-terapêutico destes tipos de cânceres. Sua difusão é recente e ainda limitada no país, entretanto, a quebra do monopólio da União na produção de radiofármacos, a partir de 2006, pode desencadear um movimento, já em curso, de multiplicação de instalações de ciclótrons e de compras de tomógrafos PET, principalmente pelo setor privado de saúde, produzindo aumento nas demandas e pressões pela sua incorporação às tabelas de reembolso do Sistema Único de Saúde (SUS), exigindo informações atualizadas e baseadas em evidências para apoiar os processos decisórios.

OBJETIVO:

O presente boletim buscou avaliar as evidências disponíveis quanto à acurácia e ao valor clínico da PET nestas neoplasias em relação às seguintes indicações clínicas: (1) diagnóstico; (2) estadiamento e reestadiamento; (3) avaliação de resposta ao tratamento; e (4) detecção de doença recorrente. Foram também investigadas sua influência nas decisões de manuseio clínico-terapêutico e seu impacto nos desfechos em saúde.

MÉTODOS:

A metodologia utilizada foi a das revisões de avaliação de tecnologias em saúde (ATS), congregando duas estratégias complementares: (1) pesquisa de avaliações produzidas por agências de ATS, a partir da base de dados da INAHTA e (2) pesquisa bibliográfica de revisões sistemáticas (RS) e meta-análises nas bases MEDLINE, COCHRANE, LILACS e SCIELO.

O exame dos diversos documentos aponta para uma boa acurácia diagnóstica da PET nas seguintes situações:

avaliação de recorrência, particularmente na detecção de metástases hepáticas e extra-hepáticas; casos de suspeita de recorrência a partir do aumento dos níveis séricos de antígeno carcinoembrionário (CEA) somado a resultados negativos ou duvidosos pelas técnicas anatômicas de imagem; estadiamento de pacientes com metástases hepáticas candidatos à ressecção cirúrgica. A PET não possui indicação para o diagnóstico de tumor coloretal primário. O número de trabalhos avaliando a PET-TC foi reduzido, mas tendem a sinalizar para um melhor desempenho da tecnologia combinada em relação à PET isolada. Embora com menor nível de pesquisa e evidências, o principal impacto clínico de seu uso parece residir na possibilidade de evitar cirurgias desnecessárias, sobretudo a partir da detecção de lesões adicionais não identificadas pelas técnicas diagnósticas mais usuais. Não foram levantadas evidências que apontassem de forma conclusiva para o impacto da tecnologia nos desfechos em saúde. Foi realizada uma busca na base de dados Medline (via Pubmed) e foram encontradas quatro avaliações econômicas (Park et al., Zulbedia et al., MSAC e Sloka et al.) sobre o tema abordado no presente boletim. Não foi encontrado estudo de custo-efetividade com a PET para o CCR no Brasil.

CONCLUSÃO:

Das quatro avaliações econômicas, três chegaram ao resultado de que a PET-TC tem dominância forte em relação à TC. Ou seja, a conclusão é a de que a PET-TC é uma tecnologia mais efetiva e mais barata do que a TC. No quarto estudo, concluiu-se que a PET-TC é custoefetiva em relação à TC. Estes resultados favoráveis à incorporação da tecnologia PET-TC, apesar do alto custo do exame, se devem às cirurgias evitadas devido à maior acurácia da técnica, quando há suspeitas de metástases hepáticas.

Mais relacionados