Ácido ursodesoxicólico para o tratamento da hepatopatia crônica criptogênica

Año de publicación: 2016

CONTEXTO:

A hepatopatia é um termo empregado para designar um conjunto de doenças que acometem o fígado. Segundo a Classificação Internacional de Doenças 10a versão (CID-10), compreende as doenças de CID-10 K70 a K77. A hepatopatia crônica criptogênica refere-se a doença hepática sem etiologia conhecida (K73.9) (1). Além dessas, existem as doenças hepáticas de origem viral (CID-10 B15-B19) (2). As principais doenças hepáticas crônicas (DHC) são: hepatite viral (B15-B19), alcoólica (K70) ou autoimune (K75.4), doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) (K76.0), cirrose hepática (K74) e carcinoma hepatocelular (C22.0). A cirrose, doença difusa do fígado, é considerada estágio próprio da evolução de diversas doenças hepáticas crônicas e pode evoluir para insuficiência hepática e carcinoma hepatocelular.

TECNOLOGIA:

Ácido ursodesoxicólico (Ursacol®).

PERGUNTA:

Ácido ursodesoxicólico é eficaz e seguro para o tratamento da hepatopatia crônica criptogênica? EVIDENCIAS: Não foram encontrados estudos que avaliassem o ácido ursodesoxicólico para o tratamento de doenças hepáticas crônicas de etiologia desconhecida. Foi incluída uma revisão sistemática que avaliou o uso de ácido ursodesoxicólico para o tratamento da cirrose biliar primária, sua indicação em bula no FDA. Os resultados mostraram não haver diferença significativa no efeito entre o ácido ursodesoxicólico e placebo ou "não intervenção" para mortalidade por todas as causas; mortalidade por todas as causas ou transplante de fígado; eventos adversos graves ou eventos adversos não graves. O ácido ursodesoxicólico não influenciou o número de pacientes com prurido ou com fadiga. A pressão portal, varizes, varizes hemorrágicas, ascite e encefalopatia hepática não foram significativamente afetadas pelo ácido ursodesoxicólico. O ácido ursodesoxicólico diminuiu significativamente a concentração sérica de bilirrubina e a atividade da fosfatase alcalina sérica em comparação com placebo ou nenhuma intervenção. Ácido ursodeoxicólico também pareceu melhorar os níveis séricos de gama-glutamil transferase, aminotransferases, colesterol total e concentração de imunoglobulina M plasmática. O ácido rsodesoxicólico pareceu ter um efeito benéfico sobre a agravamento do estágio histológico. Os autores concluíram que os resultados da revisão sistemática não demonstraram quaisquer benefícios significativos de ácido rsodesoxicólico na mortalidade por todas as causas, transplante de fígado, prurido, ou fadiga em pacientes com cirrose biliar primária. O ácido ursodesoxicólico demonstra ter um efeito benéfico sobre as medidas bioquímicas do fígado e na progressão histológica em comparação com o grupo controle.

CONCLUSÕES:

Não existem evidencias diretas para o uso de ácido ursodesoxicólico para o tratamento de hepatopatia crônica criptogênica. Nos casos de hepatopatias que apresentam comprometimento colestático crônico, o ácido ursodesoxicólico melhora os parâmetros bioquímicos e histológico sem, entretanto, trazer benefícios nos desfechos de mortalidade por todas as causas, mortalidade por todas as causas ou transplante hepático, fadiga e prurido.

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