Golimumabe para espondilite anquilosante

Año de publicación: 2013

A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória crônica que acomete preferencialmente a coluna vertebral, podendo evoluir com rigidez e limitação funcional progressiva do esqueleto axial. Em 2008, foi proposto e globalmente aceito o nome “espondiloartrites”, que enfatiza a natureza axial (“espondilo”) e periférica (“artrite”) de um grupo de doenças reumáticas articulares. O conjunto das espondiloartrites compreende a espondilite anquilosante, a artrite psoriásica, a artrite reativa, as espondiloartrites indiferenciadas e as artrites associada às doenças inflamatórias do intestino, em especial a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. Neste parecer, apenas serão abordados aspectos relativos à espondilite anquilosante. Atualmente, não existe uma terapia padrão ou eficaz para a AS. Manejo convencional é composto de fisioterapia, anti-inflamatórios não esteróides (AINE) e medicamentos anti-reumáticos modificadores do curso da doença (DMARDs). Nenhum destes agentes tem demonstrado alterar a progressão da doença, mas podem oferecer alívio da dor e dos sintomas. Os anticorpos monoclonais adalimumabe, etanercepte e infliximabe têm como alvo a ativação do fator de necrose tumoral-α (TNF-α) e a subsequente ativação de processos inflamatórios, e, como tal, têm o potencial de oferecer alívio dos sintomas bem como alterar a progressão da doença. O golimumabe é um anticorpo monoclonal humano IgG1κ produzido por uma linhagem celular de hibridoma murino com tecnologia de DNA recombinante. O golimumabe é um anticorpo monoclonal humano que forma complexos de alta afinidade e estabilidade junto com formas bioativas solúveis e transmembranais do fator de necrose tumoral humano (TNF), que impede a ligação do TNF com seus receptores. Uma expressão elevada de TNF foi associada com doenças inflamatórias crônicas, como artrite reumatoide (AR) e espondiloartrites, como artrite psoriásica (AP) e espondilite anquilosante (EA), e é um importante mediador da inflamação articular e do dano estrutural (característicos dessas doenças). A eficácia e a segurança da utilização de golimumabe no tratamento da espondilite anquilosante foram avaliadas em um estudo multicêntrico, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo (GO-RAISE). Participaram 356 pacientes adultos com espondilite anquilosante ativa (definida por um escore de Índice de Atividade de Espondilite Anquilosante de Bath (BASDAI) ≥ 4 e um escore analógico visual (VAS) para dor nas costas total ≥ 4, em uma escala de 0 a 10). Os pacientes recrutados para esse estudo tinham sintomas de doença ativa por pelo menos 3 meses antes da início do estudo, uma resposta inadequada ou refratariedade à terapia atual ou prévia com antiinflamatórios não esteroidais (AINE) ou medicamentos modificadores do curso da doença (DMARD), e não haviam recebido tratamento prévio com anti-TNF. Além da análise dos estudos apresentados pelo demandante, a Secretaria-Executiva da CONITEC realizou busca na literatura por artigos científicos, com o objetivo de localizar a melhor evidência científica disponível sobre o tema. A evidência atualmente disponível sobre eficácia e segurança do golimumabe para tratamento da espondilite anquilosante é baseada em apenas 1 estudo clínico randomizado, com prejuízos metodológicos já apontados neste relatório, com nível de evidência 2B e grau de recomendação B. Neste sentido, os resultados apresentados pelo estudo GO-REVEAL sugerem que o tratamento da espondilite anquilosante com golimumabe é mais eficaz que o placebo nos índices funcionais e de dor considerados para EA. As análises econômicas apresentadas pelo demandante, cumprindo as exigências do Decreto n° 7.646 de 21 de dezembro de 2011, mostram muitas limitações metodológicas, como já apresentadas nesse relatório. A principal delas foi a realização de uma análise de custo-minimização ao invés de uma análise de custo-efetividade, ca qual seria mais adequada para o contexto avaliado. Dessa forma, considerando todas as limitações metodológicas de eficácia, custo-minimização e impacto orçamentário já apresentadas, os resultados sugerem que golimumabe é mais eficaz que placebo.Pelo exposto, o plenário da CONITEC, em sua 10ª reunião ordinária, não recomendou a incorporação do golimumabe no SUS para o tratamento de espondilite anquilosante.

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