Revisão sistemática rápida sobre eficácia e segurança de plasma convalescente para tratamento de infecções por SARS-CoV-2

Año de publicación: 2020

OBJETIVO:

identificar e avaliar evidências científicas acerca da eficácia e segurança de plasma convalescente para tratamento de infecções por SARS-CoV-2.

METODOLOGIA:

foi realizada busca nas bases de dados Medline (via Pubmed), EMBASE, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), medRxiv, bioRxiv, LitCOVID, Cochrane Library, Google Scholar, Clinical Trials, ICTRP e REBEC (Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos), utilizando termos indexados, palavras-chaves e sinônimos relacionados a coronavírus humano e plasma convalescente. Títulos e resumos foram rastreados, e posteriormente, textos completos foram avaliados. Foi conduzida extração de dados dos estudos incluídos e síntese descritiva dos resultados.

RESULTADOS:

após triagem de títulos e resumos, seleção de textos completos e extração de dados, foram incluídos três estudos observacionais do tipo série de casos e 15 estudos clínicos em andamento (primeiro resultado preliminar previsto para 07/04/2020). Os três estudos contemplados foram realizados na China e utilizaram o plasma convalescente em 19 pacientes hospitalizados em estado crítico. Todos os pacientes estavam em uso de terapias com antivirais, esteroides, antibióticos, antifúngicos e/ou albumina humana. De forma geral, os pacientes apresentaram melhora dos sintomas clínicos e da lesão pulmonar e diminuição dos valores de carga viral. Em relação aos eventos adversos, apenas um paciente apresentou uma mancha vermelha facial evanescente.

CONCLUSÃO:

As evidências encontradas até o momento são, na sua totalidade, consideradas preliminares já que os estudos apresentaram heterogeneidade sobre a quantidade de plasma convalescente transfundido, sobre o tempo entre a admissão hospitalar ou início dos sintomas e sobre a transfusão e os critérios de elegibilidade de pacientes para administração. Dessa forma, o uso de plasma convalescente deve ser testado quanto à segurança e eficácia no contexto de ensaios clínicos randomizados robustos, bem delineados, aprovados em comitê de ética e específicos para o tratamento da COVID-19. Ainda, destaca-se que o plasma convalescente de infecção pelo SARS-CoV2, por ser um produto biológico e obtido de doadores que recentemente apresentaram infecção viral de potencial gravidade, está sujeito a outros fatores relacionados às boas práticas de manejo e a não observância desses itens pode comprometer a efetividade do tratamento, além da ocorrência de reações adversas aos pacientes, consideradas altamente severas com alto risco de morte, tal como o choque anafilático. Considerando a situação de emergência atual, ainda que não conclusivo, o PC pode ser potencialmente utilizado em contextos de ensaios clínicos previamente aprovados, de modo a fortalecer os dados, atestar a eficácia e salvaguardar os pacientes e doadores de tratamentos experimentais. Por fim, diversos estudos clínicos estão em andamento sobre a temática em questão e a atualização periódica da presente revisão é necessária para identificar novas publicações e resultados. Esse estudo tem caráter meramente informativo e não representa uma recomendação oficial do Ministério da Saúde sobre a questão.(AU)

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