Segurança da cloroquina e hidroxicloroquina em pacientes com deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD) e rastreamento da deficiência de G6PD em pacientes elegíveis para tratamento com cloroquina ou hidroxicloroquina devido à infecção por COVID-19

Año de publicación: 2020

OBJETIVO Esta nota técnica tem por objetivo apresentar uma avaliação técnica sobre a segurança da cloroquina e da hidroxicloroquina em pacientes com deficiência de glicose6-fosfato desidrogenase (G6PD), visando a fornecer subsídios para a recomendação sobre o rastreamento da deficiência de G6PD em pacientes elegíveis para tratamento com cloroquina ou hidroxicloroquina devido à infecção por coronavírus (COVID-19). DOS FATOS Trata-se de despacho emitido pelo Gabinete do Ministro da Saúde (0014309411) em 06 de abril de 2020, anexado ao processo 25000.048031/2020-24. O referido despacho apresenta um e-mail direcionado à Chefia de Gabinete do Ministro da Saúde, encaminhado pela profissional Dra. Silmara Paula Gouvea de Marco, vinculada à Universidade de São Paulo, intitulado “Problema Sério com Cloroquina”. Neste, a autora da mensagem relata preocupação com o “efeito colateral de alto nível em pacientes com deficiência de G6PD – Anemia Hemolítica”, sugerindo que “antes de ministrar o medicamento, laboratórios rastreiem a Def de G6PD, pois tais pacientes podem vir a óbito caso façam uso de tal medicamento”, fazendo referência à utilização de cloroquina em pacientes com infecção por coronavírus (COVID-19). O processo foi recebido por esta coordenação em 13 de abril de 2020.

DA ANÁLISE:

Os medicamentos cloroquina e hidroxicloroquina foram recomendados pelo Ministério da Saúde como possibilidade terapêutica em pacientes com diagnóstico confirmado da COVID-19, hospitalizados e com a forma grave da doença, em caráter off label, ou seja, sem indicação prévia em bula. Ressalta-se que a sugestão do uso pode ser modificada a qualquer tempo, a depender dos resultados das pesquisas científicas em curso A bula da cloroquina informa sua contraindicação para pacientes com deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase e a bula da hidroxicloroquina adverte que seu uso nesses pacientes deve ser feito com cautela. A cloroquina é uma 4-aminoquinolina tradicionalmente recomendada como antimalárico. Quando administrada em combinação com primaquina (8-aminoquinolina), confere cura radical aos pacientes infectados por Plasmodium vivax. Estudos conduzidos com a primaquina na década de 1950 identificaram risco aumentado de anemia hemolítica em pacientes com deficiência de G6PD tratados com primaquina. CONCLUSÕES A cloroquina apresenta contraindicação em bula para pacientes com deficiência de G6PD e a bula da hidroxicloroquina recomenda uso com cautela nesses pacientes. Apesar disso, as evidências atualmente disponíveis não apontam para risco aumentado da utilização desses medicamentos em pacientes com deficiência de G6PD. Dessa forma, não se justifica o rastreamento de deficiência de G6PD em todos os pacientes elegíveis para tratamento com cloroquina ou hidroxicloroquina devido à infecção por coronavírus (COVID-19).

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